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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Lembranças do Beco Novo – Rua Coronel Sebrão

Há 26 anos que moro na Rua Coronel Sebrão, mais conhecida pela maioria dos itabaianenses como Beco Novo, uma das mais antigas, histórica e tradicional de Itabaiana. Ela tem mais de 1 km de extensão, no início medindo aproximadamente 6 metros de largura e no seu final, 15 metros. A Rua tem mais de 200 imóveis entre casas residenciais e estabelecimentos comerciais, entre eles: mercearias, boutiques, lanchonetes, bares, panificação, salões de cabeleireiros, academia, escola Rotary, lava-jato, frutal, esquadria de ferro e alumínio, loja de informática, borracharia, oficina de moto, abatedouro de aves.

Ao longo dos anos, várias ruas foram dispostas transversalmente à Rua Coronel Sebrão por sua importância no crescimento e desenvolvimento de Itabaiana, que são: Marechal Deodoro da Fonseca, Monsenhor Constantino, Padre Felismino, Miguel Teixeira, Josefa Vieira Santos e Avenida Leandro Maciel.

A Rua Coronel Sebrão é uma das ruas mais movimentadas e importantes de Itabaiana, já que através dela passa milhares de pessoas todos os dias com destino aos conjuntos residenciais, Praça da Juventude, Bairro São Cristovão, Igreja Nossa Senhora do Carmo, Asilo Lar Cidade de Deus, Povoados Serra e Bom Jardim ou que passaram para ir ao Campo Etelvino Mendonça, Módulo Esportivo, Campo do Cantagalo, além da Fazenda Grande. Em breve, estudantes, professores e funcionários irão passar pela rua com destino ao Instituto Federal de Sergipe – IFS.

     Tenho boas lembranças e recordações desta rua a partir do final da década de 60, quando aos Domingos, eu e minha mãe, Maria da Graça Costa, visitávamos tia Alaíde, que possui uma casa no primeiro trecho e foi justamente que por causa dele originou o nome Beco Novo.

Lembro-me também que eu e meu pai, Josias Costa, fazíamos visitas aos Domingos à casa do amigo Santinho Moura, barbeiro, e hoje a mesma pertence ao meu irmão Antonio Costa.  Eles ficavam proseando durante toda a tarde e quando tinha jogo de futebol do Itabaiana no Campo Etelvino Mendonça, que ficava a uns 50 metros da casa de Santinho Moura, eu ficava perto da bilheteria esperando Seu Floro do leite comprar o ingresso, pois ele sempre me colocava no campo para assistir ao jogo. Tive a felicidade de assistir aos jogos do time do Itabaiana e principalmente à final quando o time foi campeão em 1969.

     Em frente ao Campo Etelvino Mendonça existia o sítio de Tancredo, pai do Professor Nivaldo, que foi vendido e há 10 anos começou a ser loteado transformando-se no Conjunto Eucaliptos com centenas de casas residenciais e alguns estabelecimentos comerciais trazendo desenvolvimento à região.

     Quando eu era criança, por várias vezes dormi na casa dos meus avós maternos, Maria Francisca e José Felipe, para logo cedo pela manhã irmos ao sítio do meu tio Zequinha, que ficava próximo à Fazenda Grande, atualmente situado o Conjunto residencial Maria do Carmo Alves.  Ao sairmos da Rua da Vitória, caminhávamos por toda a extensão do Beco Novo, iniciando no fundo da Igreja Matriz de Santo Antônio e Almas até o Cruzeiro, atualmente Bairro São Cristovão. Ao chegarmos ao sítio, tomávamos café e depois eles iam trabalhar na roça enquanto eu tomava banho no tanque ou brincava no terreiro. Ao final da tarde, voltávamos fazendo o mesmo percurso pelo Beco Novo.  

Em 1977, substituindo o Campo Etelvino Mendonça, foi construído e inaugurado o Módulo Esportivo de Itabaiana, e no mês de Agosto, algumas turmas de educação física do Colégio Estadual Murilo Braga foram transferidas para lá, e entre elas, a minha do 1º ano cientifico, onde Ronaldo Lima foi o professor e ensinou voleibol. Três vezes por semana me deslocava pelo Beco Novo a pé ou de monareta para fazer as aulas. Em 1978 e 1979, pratiquei basquete com o Professor José Antônio Macedo. Até meados da década de 90, milhares de alunos do CEMB fizeram aulas no Módulo e precisavam passar pelo Beco Novo.

Na década de 80, participei de muitas festas na Sede dos Trabalhadores, o point dos jovens na época, situada na Rua Coronel Sebrão.  Atualmente chama-se de Sociedade Beneficente dos Trabalhadores de Itabaiana, onde acontecem os ensaios da Quadrilha Junina Balança Mas Não Cai, dirigida por Salomão e Nide.  De lá para cá, todos os anos é armado um arraial na rua durante os festejos juninos onde a quadrilha se apresenta para os moradores. Este evento já se tornou tradição cultural na cidade. A Sede dos Trabalhadores  também já foi palco de ensaios do Bloco Margem da Serra que desfilava nas micaretas pelas principais ruas de Itabaiana.

     Em 1980, fiz o vestibular para o curso de Educação Física e fui aprovado. Em Março do mesmo ano ingressei no serviço público e comecei a dar aulas de basquete no Módulo Esportivo e continuei a usar a Rua do Beco Novo como caminho para chegar e voltar do trabalho. Trabalhei no Módulo durante 14 anos e ao longo deste tempo  fiz muitas amizades  com os moradores da Rua, especialmente os que moravam próximo a mim, como: Seu Rufino marceneiro, Chico do DNOCS e Lerino que possuíam bares, Turinha pedreiro, Dona Miúda e outros mais.

     Em Junho de 1980, comecei o namoro com Madileide, que conheci nas aulas de educação física no Módulo, filha de Bernadete e neta de Maria de Gustavo, que moravam nas esquinas da Rua Coronel Sebrão com a Rua Padre Felismino. Foram 6 anos de namoro, e quase todas as noites me deslocava pela Rua do Beco Novo para namorar. Em 1986, casamos e fomos morar na Rua General  José Calazans.

     Em 1988, por indicação do meu primo Zé Carlos do Batula, comprei o terreno vizinho a sua casa, na esquina da Rua Coronel Sebrão com a Avenida Leandro Maciel, e construir minha casa, até que em 1º de Maio de 1990, fizemos a mudança e já são quase 26 anos morando no mesmo local. Ao longo dos anos formei minha família nesta rua e atualmente, meu filho Júnior, o mais velho, mora na casa construída por Tonho de Veríssimo próximo a minha.

     Desde o surgimento do Beco Novo até os dias atuais, já moraram ou moram centenas de famílias, algumas destas conheci e tenho amizades, outras ouvi falar e as demais tenho lembranças  que citarei: Olga, Selma, Beatriz, Djanira, Diva, Luiz de titia, Tota, Sanches, Zé Antônio funileiro, Zé de Meu Mano, Maria Branquinha, Helena, Luiz soldado, Nilo base, Toinho macaco, Nancy, Floro do leite, Teteu, Euclides Barraca, Peu,  Evilásio, Lulu, Euclides alfaiate, Arinda, Eulina, Esperidião, Chico marchante, Zequinha do bicho, Lourdes e Raul, Dulce de Bonito, Lia, Aurélio dos peixes, Marluce de Miguel Fagundes, Salomão, Rosilda, Laura,  Malhador da maça, Sebastião, Fina, Valdez, Augusto do bar, Durval do açúcar, Oviêdo do carvão, Zé do vinagre,  Lenaldo, Belmiro,Gilza, Manoel de Neo, Tonho de Izelt, Pirrô, Ageninho, Marcos de Fefi, Ofélia, Santo Marceneiro, Berna, Márcia e Mércia, Zé pedreiro, Bernardo, Zé  gordo, Branco da verdura e outros. Peço desculpas por não saber ou não citar o nome de todos os moradores que já residiram ou residem no Beco Novo.

     Ao longo de quase 50 anos como transeunte e morador do Beco Novo, acompanhei e sou testemunha de como  ela foi transformada e melhorada por seus habitantes e pelo poder publico com calçamento a paralelepípedo, rede de esgoto, asfalto e por construções ou reformas de casas que deram novos ares a mesma. Tenho orgulho de morar na Rua Coronel Sebrão, pois ela mora no meu coração, faz parte das minhas lembranças desde criança e onde continuo fazendo inúmeras amizades com seus moradores.

Foto principal extraída do Álbum de Fotografias de Vladimir Souza e Róberio Santos


Por Professor José Costa

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Batula: saudades da minha infância

Há alguns dias, convidei minhas irmãs Cida e Lourdes para visitar o sítio de tia Alaide que foi de meus avós maternos, Felipe e Francisca Santiago, situado no povoado Batula em Itabaiana. Ao chegarmos lá, as lembranças de infância afloraram em nossas mentes e corações, já que passamos boa parte das férias escolares com nossos primos e tios no sítio batula.

   Durante a minha infância, passava as férias de julho e janeiro no sítio batula, ia à tarde ao Domingo ou pela manhã na segunda-feira com minha prima Maria, que considerávamos como uma irmã mais velha, e retornava na sexta-feira, sempre depois da farinhada. Íamos ao sítio a pé, através da estrada do Lagamar, que possuía o Barrado, uma passagem de água no inverno no sítio de Zé Massacrua. Chegando ao sítio de Zequinha de Céu, passávamos  a estrada estreita do batula e logo chegávamos ao riachinho, outra passagem de água no sítio de Sanches e na sequência tinha os sítios de João da Graça, Pio de céu e Antônio de céu que ficava ao lado do sítio de meus tios. Hoje, a estrada centenária do batula e a maioria dos sítios já não mais existem, dando lugar aos condomínios através da expansão imobiliária. No futuro, espero que o nome Povoado Batula seja mantido, mesmo após a compra de todos os sítios da região e adjacências.

     As férias de janeiro eram as melhores, pois o verão contribuía para nos divertimos mais e apreciarmos as frutas que eram abundantes neste período como a manga, caju, goiaba, pitomba e araçá, que geralmente achava no pasto.

     Um dia no sítio era muito legal: de manhã cedo acordava para ver meu tio João, padivão como o chamávamos, tirar leite das vacas,  tomava café e depois saia com meu primo Zé Carlos, o mais novo e da minha idade, para caçar passarinhos, pescar, chupar caju ou manga quando era a época, e tomar banho no riacho que passava no sítio de Seu Francisco, onde aprendi a nadar, enquanto meus tios e os primos Tonho, Zé, Luiz, Tereza e Maria saiam para trabalhar na malhada. Eles plantavam principalmente a mandioca para fazer farinha, macaxeira, batata, inhame, feijão, cebola e milho. Ao meio dia, voltávamos para o almoço, e de tarde ficávamos brincando de bola, furão, bola de gude, pular corda ou íamos visitar os sítios vizinhos de Antônio de céu, Joca e Nilo. À noite, depois do café, ficávamos no terreiro, onde meu tio contava estórias de trancoso, a luz dos candeeiros ou da lua quando o céu estava estrelado e que podíamos ver as luzes da cidade de Itabaiana. Às 7 ou 8 horas da noite, todos iam lavar os pés para dormir, eu dormia na rede, e enquanto o sono não vinha, ficávamos brincando de perguntar um aos outros, o que é o que é, até que um a um adormecia.

     Todas as semanas, na Quinta-feira, acordávamos cedo e íamos de carroça de burro buscar a mandioca para fazer farinha. Ao chegar à casa de farinha, a mandioca era raspada, passada no rodete, depois  a massa era prensada para secar e passada outra vez no rodete para virar farinha, enquanto isso, a água que saia da prensa caia no cocho, assentava e transformava-se em tapioca para fazer os bejus. A farinha era levada ao forno de barro, mexida até ficar sequinha, peneirada, embalada em sacos de pano e transportada na carroça de burro por meu tio João até o mercado, atualmente Mercado Zezé de Bevenuto, onde meus primos Zé, Antônio e Luiz vendiam-na na feira do sábado.

     Na sexta-feira, depois de feita a farinha, tia Alaíde peneirava a tapioca e fazia bejus de amendoim, coco e também de massa. Para as crianças, ela fazia com açúcar e menores e para o café era feito um enorme e dividido para todos. Às vezes, meus tios aproveitavam o forno quente para assar pé de moleque, que era preparado no início da semana quando era colocado um saco de macaxeira ou mandioca dentro da fonte para fazer a puba, uma massa que misturada com coco, açúcar e cravo, era colocada em palha de bananeira e assada. Na minha vida, nunca comi um pé de moleque igual ao de tia Alaide.

     Um dia especial no sítio era a comemoração do São João. Logo cedo os homens iam a procura no pasto de uma árvore comprida e fina para fazer o mastro e catar lenha seca para a fogueira. Ao mesmo tempo, as mulheres se deslocavam para a malhada para pegar espigas de milho, que misturadas depois com o coco eram preparadas várias comidas tradicionais como a canjica, pamonha, bolo de milho, mungunzá. Também eram feitos bolos de macaxeira  e puba e pé de moleque. À noite, acendia a fogueira e assavam as espigas de milho e também  batatas. Minha mãe e meus irmãos também passavam este dia especial no sítio e retornavam à tarde.

    Na época de caju, titia mandava eu e Zé Carlos catar castanhas debaixo dos cajueiros, e à tarde, depois de voltar da malhada, assava-as e quando esfriavam, nós as quebravam para comermos no café da noite.

     No sítio existiam três fontes, e todos os dias recebíamos a tarefa de buscar água de beber na fonte que ficava próximo a porteira do sítio, titia deixava a água assentar nos baldes e somente no outro dia, após amarrar um pano branco na boca do pote, a água era despejada para coar e poderia ser bebida.

     Como todo brasileiro, meus primos gostavam de futebol e resolveram  fazer um campinho de pelada no pasto, numa área próxima a fonte. Ao final da tarde, quando acabava o serviço na malhada, nós e os vizinhos jogávamos futebol até o entardecer.

     Em 1973, quando eu tinha 11 anos, eu e minha irmã Dete compramos de meia uma bicicleta Monareta e foi através dela que passei a ir para o sítio a qualquer dia da semana. Antes desta data, aprendi a andar de bicicleta na de Zé Carlos, pois ele estudava no Grupo Escolar Guilhermino Bezerra na Praça João Pessoa e a deixava na garagem de minha casa, e escondido, eu a pegava para andar na Rua 7 de Setembro. Aprendi depois de muitas quedas e arranhões.

     Já faz um bom tempo que titia mora na cidade, mas nunca deixou de ir ao sítio, principalmente porque cria algumas cabeças de gado.  Já fazia alguns anos que eu tinha visitado o batula. Como é bom lembrar o passado e matar as saudades das coisas e locais que nos fizeram tanto bem. Se fosse possível gostaria de voltar o tempo e reviver os bons momentos de infância que passei no sítio batula ao lado de meus familiares.


Por Professor José Costa

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Praça João Pessoa: lembranças, história e transformações

A Praça João Pessoa, antiga Santa Cruz, é uma das mais lindas de Itabaiana, está situada no centro da cidade com casas residenciais e lojas comerciais. Recentemente, a Praça foi revitalizada e as lembranças afloraram na minha memória, de como era antigamente e as mudanças que ocorreram em cada reforma até os dias atuais.

     Nasci e morei na Praça por 25 anos, de 1961 a 1986 e passei a maior parte da minha infância e adolescência brincando nela com meus irmãos e amigos. As brincadeiras eram as mais variadas possíveis como pega-pega, jogar bola, mãos ao alto, esconde-esconde, pular corda, bola de gude,  furão, pim barra, queimado. Brincávamos mais pela tarde e à noite já que a maioria estudava pela manhã no Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, situado na mesma.

     Antigamente, a Praça era de areia, tinha eucaliptos plantados ao seu redor e dividida em duas partes. No centro de cada parte tinha uma construção, um coreto em frente ao Cine Santo Antônio, atualmente o Supermercado Nunes Peixoto e um chafariz, em frente ao Banese, onde as pessoas enchiam suas latas de água para levar as suas casas, pois quase não existia água encanada em Itabaiana, e que permanece no mesmo lugar. Também existia a bomba de gasolina de Seu João Marcelo, atualmente um prédio de lojas comerciais no térreo e um Restaurante na parte superior.

     Até quase o final da década de 60, a principal atividade desenvolvida na Praça era a festa de Natal, onde os itabaianenses se divertiam nas barcas, onda, trivoli, balanços e jogos para ganhar goiabadas. Posteriormente, a festa foi transferida para a Praça Etelvino Mendonça. Também tenho lembranças de outros eventos realizados na Praça como os espetáculos circenses, principalmente do circo de Zé Bezerra; a apresentação de luta livre com Ted Boy Marino, lutador e ator do Programa Os Trapalhões; do desportista que passou três dias e três noites rodando na bicicleta sem parar, a não ser para fazer as necessidades fisiológicas e do homem que puxou com os dentes um jipe amarrado a uma corda, entre outras.

     Em 1969, foi construído um parque infantil em frente ao Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, atualmente onde está o quiosque do Açaí. Brinquei muito com meus amigos de infância Givaldo, Luiz, Jairo, Carlos Alberto, Saul, Zé Almir, Josiel, Flauvinaldo, entre outros. O parque era cercado por alambrados e tinha um guarda que abria pela manhã e fechava no final da tarde.

     No início da década de 70, na administração do Prefeito Vicente Machado, a Praça foi reformada com a divisão em canteiros, novas árvores foram plantadas, colocados vários bancos de granito e construído o monumento Apolo 11, substituindo o coreto. Entre os canteiros continuou predominando a areia. No lado oposto ao Grupo Escolar Guilhermino Bezerra foi organizado um ponto de táxi, o qual existe até os dias atuais.

     Entre as casas construídas ao longo da Praça, as residenciais sempre foram predominantes, mas casas comerciais foram surgindo ao longo do tempo, transformando-a em um centro comercial, das mais antigas como os hotéis 8 Irmãos e o de Tancredo, o escritório da Empresa Senhor do Bonfim, o prédio da Telergipe, a bodega de Tonho cacetinho, o bar de Dedé até as mais recentes como o restaurante o Terraço, o  BANESE, Supermercado Nunes Peixoto, Joalheria o Garimpo, a Visótica By Brasil, a Drogaria Preferencial, entre outras.

     A Praça João Pessoa foi privilegiada por ter tido entre seus prédios o Cine Santo Antônio, cinema do Padre, que foi administrado por muitos anos pelo empresário José Queiroz da Costa, e a Rádio Princesa da Serra AM, instalada na parte superior do cinema em 1978. Milhares de pessoas eram atraídas para assistir as apresentações cinematográficas ou  conhecer as instalações da rádio e seus radialistas. Atualmente, a Rádio Princesa da Serra AM está localizada na Rua 13 de Maio, no prédio do antigo cinema popular.

     Diversas famílias moram ou moraram na Praça ao longo dos anos e posso dizer que conheci quase todas, nos meus 53 anos de vida como morador e frequentador, já que minha irmã Lourdes continua morando na mesma, entre elas, a de Gerusa, Lia, Zefinha Amaral, Teixeira, Timbeu, Lourdes, Zenaide, Helena Lobo, Messias Peixoto, Juraci, Antônio de Elizier, Porcínio, Raquel, Zequinha Ourives, João Marcelo, Banderola, Eronildes, Flávio, Marinho, Luiz, Zeca Titia, Maria Pereira, Lafaiete, Olívio, Vicente Machado, Mozart, Juca Monteiro, Álvaro Fonseca, Heleno da padaria, Tancredo, Josuel, Samuel, Ioiô, Joza, Tonho de Rosa, Zeça Merrê, Pedrinho, Genário, Chico da mansinha, Josias Costa (meu pai), Américo, Carminha, Tonho cacetinho e outras que porventura tenha esquecido.

     No início da década de 90, na administração do Prefeito Luciano Bispo, a Praça teve uma nova reforma que mudou sua estrutura, a começar pelo piso, o qual foi colocado pedras portuguesas, foram construídos novos canteiros e dois quiosques, bancos de madeiras substituíram os de granito e o monumento Apolo 11 recebeu uma fonte luminosa.  O trecho da Rua que ficava entre o Grupo Escolar Guilhermino e a Praça foi transformada em um espaço de passeio com canteiros e bancos. A iluminação foi totalmente modificada.

     No final de 2014, na administração do Prefeito Valmir de Francisquinho, a revitalização da Praça foi concluída com várias mudanças em sua estrutura, principalmente na diminuição do seu espaço físico para a criação de estacionamentos para carros e motos e favorecendo a melhoria do trânsito no centro da cidade. A iluminação foi ampliada, o piso totalmente trocado, os quiosques reformados, foram criados dois pontos de mototáxi, instalado um caixa eletrônico da Caixa Econômica, manutenção do ponto de táxi e da banca de revistas. Em breve, será concluído no espaço da Rua que separava as duas partes da Praça, um parque infantil e a implantação de aparelhos de ginástica para a realização de atividades físicas.

     Com a revitalização, a Praça está mais bonita e passou a oferecer melhores condições para as pessoas se deslocarem ao centro da cidade e realizar atividades físicas e de lazer, como a caminhada, tão necessárias para à melhoria da saúde dos itabaianenses.


Por Professor José Costa

domingo, 28 de dezembro de 2014

Lembranças das festas de Natal em Itabaiana

A época natalina me traz boas lembranças das festas de natal e ano novo que fizeram parte da minha infância, juventude e provavelmente da maioria dos  itabaianenses e circunvizinhos que nasceram há 30, 40, 50 anos. As festas eram realizadas na Praça João Pessoa, antiga Santa Cruz, a partir da década de 60 e na Praça Etelvino Mendonça, atualmente de Eventos, a partir da década de 70.

     As melhores lembranças das festas e que não saem da minha memória são das diversões, comidas, jogos, músicas e das apresentações da Chegança Santa Cruz de Zé de Binel. Pelo lado religioso, a principal comemoração do nascimento do Menino Jesus era a Missa do Galo na Igreja Matriz de Santo Antônio e Almas na véspera do Natal. As festas começavam a tarde e se estendiam até a madrugada.

     As diversões eram simples, mas divertiam as pessoas como as barcas, especialmente as de meu pai, Josias Costa (in memorian); os carrinhos para as crianças menores; o trivoli com os cavalos; os balanços e principalmente a onda, ponto de paquera entre os jovens. Em 1977, meu primo Zé Costa (in memorian) comprou e armou uma roda gigante na praça, no ano seguinte ele adquiriu outras diversões e formou o parque São José, o primeiro de Itabaiana.

     Para animar as festas, existia um serviço de som que tocava as músicas de sucesso da época oferecidas às pessoas presentes e também servia para mandar recadinhos de paqueras ou fazer brincadeiras com os amigos. O serviço de som foi realizado ao longo dos anos por João de Deus, Bicudinho e Xavier, todos bastante conhecidos pelos itabaianenses.

     Nas festas, existiam comidas para todos os gostos. Geralmente, os adultos e jovens dirigiam-se para os bares armados ao longo da praça e ingeriam bebidas alcoólicas e refrigerantes, além de comer caranguejos e outros petiscos. As crianças se deliciavam com algodão doce no palito, pipoca, rolete de cana na taboca, pirulito no tabuleiro, arroz doce, sorvete de ki-suco feito na hora, espetinho de carne com salada, pastel e coscorrão com o acompanhamento do gostoso ki-suco na garrafa de refrigerante, servido a temperatura ambiente.

     Muitas pessoas só iam para a festa com o objetivo de jogar, principalmente os homens, pois enquanto as mulheres colocavam os filhos para se divertirem nos brinquedos, eles tentavam ganhar dinheiro ou brindes nos jogos, entre eles: as rifas de goiabada, cigarro ou sardinha; lançar argolas para acertar nas notas de dinheiro colocadas em tábuas pequenas ou caixas de fósforos; roleta de números para tentar ganhar dinheiro; tabuleiro colorido onde a pessoa que acertasse a bola de igual cor ganharia um brinde; pescaria de brindes e o bingo Peixoto, que originou o parque do mesmo nome.

     A tradição de ganhar presentes não era como nos dias atuais, ganhar um sapato novo e roupas novas era o maior desejo das crianças e adolescentes, e saiba que a maioria das roupas não era feitas em fábrica e sim por costureiras, como minha mãe, Dona Graça (in memorian), uma das melhores de Itabaiana. A praça se tornava uma passarela para o desfile de figurinos, principalmente pelas mulheres, mas logo uma nuvem de poeira, que era feita pelo caminhar das pessoas encobria todas, e quando voltavam para suas casas às roupas já não mais pareciam novas.

    A ornamentação da praça era simples, geralmente com uma enorme árvore de natal colocada no centro. Cada dono dos brinquedos ornamentava com lâmpadas coloridas ao redor deles, dando um belo visual à festa. 

     Em meados da década de 90, com a construção do espaço para eventos na Praça Etelvino Mendonça, as diversões mais antigas, principalmente as barcas, foram montadas na lateral do Estádio Presidente Médici e o parque ocupou a parte central. A partir desta data, as minhas lembranças já são como pai, pois levava meus filhos às festas sem a presença de alguns brinquedos antigos.

   Nos dias atuais, as festas de Natal e fim de ano são realizadas em casa com a reunião de familiares e amigos para a ceia, troca de presentes e comemoração da entrada do ano novo. Um número bem menor de famílias levam seus filhos para se divertirem no parque, mas infelizmente não  com as diversões, simplicidade e as comidas das festas de Natal dos tempos passados.

   Por Professor José Costa


Créditos da foto: Grupo Itabaiana Grande